Uma história de amor: O casamento

Você pode ler esse conto ouvindo essa música: aqui


Éramos apenas dois amigos num almoço comum. Ele parecia esperar uma resposta para algo muito importante, seus olhos por trás dos óculos passavam certo nervosismo. Ele me perguntou se eu gostaria de acompanhá-lo no casamento de um dos seus familiares, disse que seria ótimo que eu fosse e que seria algo muito divertido. De início reagi com surpresa, de fato, não esperava aquilo. Muito mais ser convidada para um casamento de duas pessoas que sequer havia visto duas vezes. Tentei não parecer eufórica, escondi minha ansiedade e apenas fiz um ‘sim’, simples e direto.Tentei parecer faminta no que estava comendo. Não pude deixar de notar um sorriso escondido em sua face. Eu poderia jurar que nesse momento estava corada, mas não sabia ao certo e precisava acreditar que não, pois seria muito complicado se ele percebe-se. Caso contrário acabaria falando alguma besteira e estragando tudo.

O casamento é uma marco de que algo muito raro e por isso é celebrado. Onde duas pessoas num mundo tão complexo e cercado por ódio, estão mostrando ao mundo o fato de terem se encontrado. Eu gosto do modo que o casamento é celebrado. Talvez seja uma das poucas coisas aos quais eu realmente acho que sou uma completa menininha quando vejo.

Depois da cerimônia, todos estávamos na festa. Muita bebida, muita luz, muitos sorrisos e risadas que expressavam tamanha felicidade. Se ser feliz pudesse ser exemplificada, aquele momento seria o certo.

Lá estava ele, do outro lado da pista de dança. Conversando com dois outros que também foram padrinhos. Antes eu os vi dançar e tirar muitas fotos. Não quis atrapalhar, eu estava ali um pouco de lado. Mas sempre gostei de não chamar atenção. Uma garota passou e elogiou meu vestido. Retribui da mesma forma e abri um grande sorriso por ser tão sincera. Ao virar meu rosto, ele já se encontrava ao meu lado e sorriu baixo por perceber que tinha me dado um leve susto. Sua mão direita estava semi-estendida como quem pedia uma dança. Aceitei, deixando minha mão sobre a dele e a música ‘Never let me go’ invadia o salão inteiro. Era lenta e estava contando os segundos em que me atrapalharia e pisaria nos pés dele. Respirei fundo nos primeiros segundos e tentei parecer o menos nervosa possível.

– Você está muito linda hoje, sabia? – ele proferia olhando dentro dos meus olhos, de uma forma que não haveria dúvidas que ele estava falando a verdade. Eu só consegui corar e balançar levemente a cabeça, indicando uma negação. Sua risada foi mais alta por perceber que estava sem reação e com muita vergonha. – Você deveria parar de rir da minha cara, já estou fazendo um esforço para dançar nesse salto e ainda vem falar essas coisas. Isso não se faz. Vou acabar pisando no seu pé… Não diga que não avisei!- meu tom era acusativo, porém com uma leve pegada de brincadeira. Ele sorriu e eu sorri também.

No fim, decidi pousar minha cabeça em um de seus ombros e deixar meus braços repousarem sobre seu pescoço. Eu podia sentir o cheiro do seu perfume invadir todo o meu redor. Era forte, mas não enjoativo. Era muito bom, viciante! – De verdade! Você está muito, muito linda! – agora ele sussurrava em meu ouvido. Aquilo me causou um certo arrepio. O que estava acontecendo comigo? Ele não deveria estar fazendo aquilo. Podia sentir algumas pessoas olhando para nós dois. A música acabara e dava lugar a um rock um pouco mais agitado – Queria conversar com você… sem essa barulheira toda! – disse a ele. Logo em seguida ele pegou em minha mão me arrastou para um lugar mais afastado na festa. Em poucos minutos estávamos em uma varanda com pouca iluminação. Quase ninguém passava no corredor de dentro. Éramos só nós dois. E eu tinha esquecido completamente o que queria falar com ele. – Está um pouco frio aqui fora não? – que idiota, eu estava falando sobre o clima mesmo? Sim, eu estava falando sobre o clima. Após minha pergunta o notei tirar o paletó e sua camiseta social branca agora estava exposta e sua gravata também. Ele estava ainda mais lindo, sempre achei pessoas em ternos atraentes demais. Me virei de costas para que ele pudesse me ajudar a vestí-lo. Não posso negar, ficou um pouco grande, porém estava muito melhor. Me sentia mais quente. – Nossa suas mãos, estão completamente geladas. – ele afirmou e tentava esfregar suas mãos quentes sobre as minhas para mantê-las aquecidas. Nesse momento o fitei novamente e meu coração acelerou tão rápido que se continuássemos em silêncio eu poderia ouví-lo sem problema algum. A distância entre nós estava diminuindo aos poucos. Era algo especial, nós estávamos prestes a nos beijarmos, o primeiro beijo. Algo que nunca se esquece.

Meus lábios tocaram os dele e senti o sabor quente que sua boca estava. Aquele calor rapidamente se preencheu por todo o meu rosto. Era devagar e delicado no começo, porém em questão de segundos aquilo não parecia ser suficiente. Seu braço esquerdo foi de encontro com a minha cintura e sua outra mão segurava o meu rosto, como se a distância entre nós a cada segundo fosse ainda menor. Eu já me encontrava extasiada, sem fôlego e um pouco tonta quando o beijo parou. De imediato suspirei, abri meus olhos e o vi sorrindo para mim. Mas o que eu estava ainda mais deslumbrada era a forma em que seus olhos reluziam para mim, mesmo que a iluminação estivesse um pouco fraca. Foi então que percebi que nada seria o mesmo, aquilo era só o começo. (Mariana Andrade)

Esse é apenas um conto que escrevi. Tenho mania de começar histórias e nunca termina-las. Espero que vocês tenham gostado do texto e se acharem legal, que possam compartilhar.
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Rafaela Doniak
Me chamo Rafaela, tenho 20 anos, sou paulista, sagitariana, gosto de animes, heróis e apaixonada por astronomia.